Eu sei que muita gente não tem paciência pra ler um artigo científico. Mas, eu considero de extrema importância valorizar essas produções, afinal, elas são um portal de acesso e reconhecimento acadêmico para nossa atividade. O artigo científico da vez é um trabalho conjunto da Mestre em Educação Física e Cultura, Maria Regina de Menezes Costa, com a competentíssima Doutora em Educação Física e Cultura Vera Lucia de Menezes Costa. “Juventude, imaginário social e esportes na cidade do Rio de Janeiro” é escrito de forma simples, breve, com fácil entendimento e traz uma visão bastante positiva da atividade. Continue lendo para ter acesso ao resumo da obra, minha opinião sobre o artigo e a obra original.

Resumo: “O presente artigo tem por objetivo discutir o imaginário social do grupo de jovens skatistas streers e de traceurs de Le Parkour que utilizam o cenário urbano para suas práticas esportivas. Os esportes de risco calculado provocam um fascínio no imaginário dos praticantes desses esportes na contemporaneidade. A incerteza e o inesperado suscitam nesses jovens a sensibilidade heróica vivenciada nas manobras e acrobacias praticadas pelas ruas da cidade. Para a “galera” do skate e a “ turma” do Le parkour arriscar-se nessas manobras traz a sensação de êxtase, experimentada na vertigem (ilînx). São os “novos” arquitetos urbanos que, com seus jeitos displicentes se mostram como arquitetos de idéias, vão ressignificando o espaço público, criando lugares, revitalizando a modernidade reflexiva, recriando a cidade na vivência dos deslizamentos de suas aventuras.”

A autora classifica o Parkour como um “esporte de risco calculado”. É um termo que eu não tinha me deparado ainda ao tentarem definir a atividade, e como praticante não me senti ofendido. Embora tentemos sempre evitar que o Parkour seja disseminado em companhia de palavras como “radical” e “risco”, nesse caso, eu acho hipocrisia não admitirmos que a quebra de limites existe e que isso confere um certo risco a atividade. Risco controlado aliado ao bom senso dos praticantes.

O artigo se refere aos tracers como “novos arquitetos urbanos… e de idéias”. Revelando que os praticantes fazem uso da “cidadania esportiva” ao se apropriar do ambiente urbano para treinar. A meu ver, esse é um dos conceitos mais lindos por detrás da atividade (e que foi explorado recentemente no documentário “My Playgound)”.

As autoras ainda levantam a questão da proibição de espaços públicos e que, por esse motivo, aumenta a necessidade de políticas publicas para construção de espaços específicos e próprios para os praticantes (Parkour Park).

A única coisa que eu não simpatizo em todo o artigo, é, obviamente, o uso constante do termo “Le Parkour”. Sobretudo em artigos científicos (que tornam-se referencias eternas) eu acho importante que tenhamos o máximo de informações sólidas sobre a atividade.

Um ótimo texto.

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Artigo Científico