Um tempo atrás fiquei sabendo que a revista Turma da Mônica Jovem fez uma história completa com o tema Parkour. Fucei um bocado até que enfim consegui encontrar a danada. O que chama a atenção é que é evidente que o roteirista fez uma extensa busca a respeito da atividade. E os erros e acertos que são cometidos na elaboração da história, a meu ver, refletem o nível de informação que temos divulgado na mídia virtual brasileira: uma espécie de termômetro. Expanda o tópico se quiser dar uma olhada nas anotações que fiz enquanto lia, ou vá direto para a seção de downloads conferir a aventura.

 

Curiosidades:

01 – As revistas do Mauricio de Souza nunca deram ênfase à caracterização de sapatos e tênis, mas presta atenção como ele representa o tênis dos praticantes de Parkour: parece um dispositivo com mil molas!

 02 – Você vai se deparar com frases conhecidas de todos os tracers como “Parece até um palavrão!”, “Parkour é Parkour”, “É burrice procurar liberdade e acabar no hospital” e o lema “Ser e Durar”.

 03 – O Cascão, de forma indireta, fornece informações de orientação para os futuros iniciantes (boa sacada do roteirista) como quando ele diz “Você nunca tenta um movimento se não tiver certeza de que consegue fazer”; “Um tracer não sai correndo assim, de qualquer jeito, feito um bobo alegre” ou “No Parkour você tenta se mover de um ponto a outro da forma mais eficiente possível”.

04 – Quando a Mônica diz que o Parkour tem cara de ser “algo ilegal” o Cascão rebate com “Que mané ilegal? Tem até Associações Oficiais!”. Uma clara menção a nossa Associação Brasileira de Parkour.

05 – Quando o Cascão solta o “Vamos produzir um vídeo para popularizar o Parkour!” a Mônica adota uma postura crítica e bem fundamentada com frases como “Uma bela desculpa para se exibir não?” ou “O que a necessidade de chamar atenção não faz…”.

06 – E a preocupação do Cascão em fazer um vídeo foda? HAHAHAHA! O roteirista deve ter assistido vários vídeos brasileiros que influenciaram essa frase da Mônica: “Eu é que não vou deixar a gravação ficar ruim pra depois aturar xingamento no Youtubo“. Afinal, isso no Brasil é uma realidade: todo mundo tem medo das criticas!

07 – Ao se referir ao local onde o Cascão treina Parkour, a Mônica fala “Esse lance poderia se chamar Le Parkinho”. Se não me falha a memória a base editorial da revista fica no Rio de Janeiro e coincidentemente “Le Parkinho” é o apelido de um dos maiores picos de Parkour do Brasil, situado no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

08 – O termo Freerunning não é mencionado, porém uma devida ressalva é feita com relação as acrobacias: “Ser direto e objetivo é coisa importante no Parkour, mas uma firula não faz mal a ninguém”.

09 – Todo movimento que o Cascão faz aparece o nome. Não fica claro se é a Mônica quem fala, ele próprio, ou é apenas um recurso visual para que futuros iniciantes busquem tutoriais na internet de como executá-los. O “Se Joga Golfinho” do final nos faz recordar os primeiros anos de Parkour no Brasil, onde a cada semana saía lista nova de vaults ou alguém resolvia criar uma coisa bizarra e colocar um nome ridículo.

Vale à pena a leitura. Cada quadrinho me fazia recordar de algo que aconteceu comigo, com meus amigos ou que vi acontecer nas comunidades do Brasil. Acredito que você dirá o mesmo.  E se encontrou outra curiosidade na revista fique a vontade para compartilhar!