Trata-se de um excelente texto escrito por Lucas “Lukinhas” Santos (Parkour Recife) e que retoma e relembra a todos o dever que os praticantes de Parkour devem ter para com o meio que o cerca. As palavras recordam princípios que jamais devem ser esquecidos por nós e que, se postos em prática, só tendem a melhorar a imagem do Parkour da sua cidade e de uma forma geral.

Os textos brasileiros são muitas vezes mal divulgados e esquecidos com o passar do tempo. Por esse motivo nos sentimos na obrigação de coletá-los e apoiá-los. Além do texto abaixo, indicamos juntamente mais duas pérolas nacionais sobre o mesmo tema:

Prudência e Respeito Nos Locais de Treino por Lucas “Lukinhas” Santos
Comportamentos de Um Traceur por tradução e acréscimos de Alex Pires
Parkour, Filosofia e Ética por Bruno “Rachacuca” Peixoto

Todos os textos se encontram em nossa seção de downloads.

Expanda o tópico para ler o “Prudência e Respeito nos Locais de Treino” sem baixá-lo.

PRUDÊNCIA E RESPEITO NOS LOCAIS DE TREINO

O Parkour recifense já tem um histórico problemático com as autoridades. Dois de nossos melhores, maiores e mais tradicionais picos já sofreram ou ainda sofrem proibições (UFPE e Parque da Jaqueira) e, mais recentemente, alguns guardas municipais começaram a se opor aos treinos realizados no Segundo Jardim de Boa Viagem. Por estes motivos, resolvi escrever um texto dando breve orientação aos praticantes de Parkour da nossa cidade, com o objetivo de impedir todo e qualquer mal-entendimento e julgamento errôneo de guardas, policiais, seguranças e etc.

1. Preserve o ambiente em que você treina.
Isto não precisaria nem ser citado aqui, por se tratar de uma questão moral e de valor universal. Não apenas você deve manter essa atitude de preservação no ambiente de treino, mas em todo e qualquer ambiente em que você esteja. Vandalismo é crime! É nossa obrigação manter o local intacto, até porque nós precisamos dele para treinar. Seria tremenda burrice destruir algo que você necessita para treinar e evoluir.

2. Respeite as pessoas ali presentes.
Se o local é público, todos têm direito de usufruir da rampinha, do corrimão, do banquinho e até dos muros. Lembre-se que você apesar de, na maioria das vezes, estar de acordo com as normas, está praticando algo muito incomum e alternativo. Por mais conhecido que o Parkour seja não pense que as pessoas não irão notar você pulando muros por aí. Nenhuma das estruturas em que treinamos – até agora – foram feitas pro Parkour, então se ao treinar você está atrapalhando a caminhada ou os exercícios de alguém, isso poderá lhe render problemas. Para evitar confusão, escolha treinar em obstáculos onde não haja passagem constante de pessoas. Se você estava treinando monkey com precisão em uns ferrinhos e de repente aparece uma criança com um quadricículo, simplesmente se retire e vá treinar outra coisa em outro lugar por enquanto. Seja prudente e evite situações inconvenientes.

3. Mostre argumentos coerentes às autoridades.
Caso alguém venha lhe repreender, explique calmamente que o que você pratica é uma atividade séria, que recebe apoio da Prefeitura de Recife na realização de encontros e outros eventos de Parkour. Que Recife, inclusive, já foi sede de um encontro nordestino.

Diga que você preza pela integridade do ambiente tanto quanto ele e que você PRECISA de tudo aquilo inteiro para poder seguir com seus treinos. Não é seu objetivo vandalizar, nem atrapalhar e faltar respeito com as pessoas presentes naquele local. Peça desculpas caso você tenha incomodado alguém e diga que irá prestar mais atenção da próxima vez e que agora irá treinar em outro lugar enquanto houver pessoas utilizando a área.

Mantendo o respeito, sendo consciente, se pondo no lugar dos outros e tendo sempre prudência ao treinar, muitas situações desconfortáveis poderão ser evitadas. Bons treinos a todos!

Lucas “Lukinhas” Santos (Parkour Recife)