Como você já sabe, boas divulgações do Parkour têm espaço cativo e garantido aqui no Pulo do Gato!

E dessa vez o excelente artigo que indicamos é escrito pela mestre em direito e doutora em ciências humanas Samantha Buglione no site de notícias A NOTÍCIA.

O texto da jurista é certeiro e com argumentos bem colocados ao lidar com o delicado tema que é o preconceito constante sofrido pelos praticantes da atividade. Porém, Samantha não se limita a somente a ele. De forma hábil e com articulações de idéias lógicas e precisas, ela consegue defender o Parkour da hostilidade dos não simpatizantes ao mesmo tempo que o posiciona como uma atividade de resgate tanto do ponto de vista físico quanto do direito social.

Não perca tempo e acesse a notícia original ou expanda o tópico para ler o texto.

PARKOUR É LEGAL

Imagine uma ou um grupo de pessoas correndo, saltando prédios, bancos de praças e brincando com as estruturas de cimento de uma cidade. A imagem talvez remeta a alguma perseguição, vandalismo ou crime. Mas nem tudo que remete a nossas memórias mais tradicionais ou aos programas de TV sensacionalistas é o que parece ser.

Todos os dias somos bombardeados com ideias de que praças são perigosas, que andar de pé descalço pode fazer mal à saúde, que correr pela rua é sinônimo de alguma ilegalidade, que se reunir em um lugar público é coisa de desocupado ou de arruaceiro. Esse turbilhão de meias-verdades acaba por criar conceitos quase que dogmáticos no cotidiano das pessoas urbanas.

Ao menor sinal, tudo é um perigo e o “se” aparece de forma a estruturar todas as práticas. As pessoas preferem se exercitar presas em jaulas com ar-condicionado e em exercícios repetitivos em uma esteira a fazer ginástica ao ar livre. A resposta, via de regra, é sempre tempo e segurança. Não temos tempo para fazer coisas legais, como brincar, e achamos que estar ao ar livre pode pôr nossa segurança em perigo. Mas tanto tempo quanto segurança são mitos e sensações. Sobre ambos, podemos pensar ter, mas não temos qualquer controle. O melhor que podemos fazer é ser vigilantes sobre a própria vida e fazer cada pequena ação de forma impecável.

Alguns já ouviram falar do parkour, criado na França por David Belle. Como no subúrbio francês de Belle havia pouca alternativa para crianças e jovens, a estratégia criada pelo pai do garoto, que era bombeiro, foi a de se (re)apropriar dos espaços disponíveis de forma lúdica e dinâmica, tendo o corpo e não outro objeto como os instrumentos da ação. Podemos dizer que o parkour é um sintoma e uma tentativa. Um sintoma de que os espaços públicos – e o espaço em geral – sofreram tanta intervenção humana que as praças ficam gradeadas como artigos de zoológico. E uma tentativa de duvidar de ideias impostas.

O parkour é legal não só porque promove novas sinapses no cérebro ou novos movimentos no corpo, mas é uma forma de resgatar movimentos perdidos. Também é legal porque seu exercício não viola lei alguma. Ou seja, nem sempre alguém correndo pela rua ou subindo uma parede é um criminoso em potencial. Pode ser, simplesmente, um jovem disciplinado exercitando sua técnica.

SAMANTHA BUGLIONE, JURISTA, MESTRE EM DIREITO E DOUTORA M CIÊNCIAS HUMANAS
buglione@antigona.org.br