Que virada foda! Muito mais foda do que eu pensava!

Foi de longe, o evento que mais me deu trabalho. Na verdade, sempre é.. Mas porra, que evento foda! Como minha 4a virada esportiva, posso dizer que de longe essa foi a que chegou mais perto de atingir os meus objetivos.
Aliás, objetivos que eu sequer sabia que tinha… E pra mim, essa virada foi marcada especialmente por uma coisa: união e dedicação dos praticantes. Eu particularmente nunca vi pessoas com tanta boa vontade ajudando num evento assim do nada. Pessoas que sequer faziam parte da organização, mas sei-lá-como apareceram do nada pra ajudar com uma puta boa vontade e provaram, sem querer, que sem elas a virada nada seria! (continua abaixo)


Eu odeio falar nomes por medo de sempre esquecer alguem, mas dessa vez não posso fazer a sacanagem de deixar passar em branco tudo o que esse pessoal fez. O Jeff, que pra mim era só um cara gente boa, ex-modão-master do ibira que gosta de falar “carai” um pouco demais, se mostrou o cara mais gente boa do mundo! Era o cara que se vc pedisse pra ele ir na casa do punk que é longe (muito. muito. longe. Nem o google maps conhece) pela terceira vez no dia só pra pegar uma extensão elétrica, abria um sorriso no rosto e falava “vamo lá carai”. O cara foi capaz de descolar uma menina pra ficar durante as 34 horas só pegando e tirando mochila de muleke mimado, sem ganhar nada! Aliás, Camila, que menina foda. Se dispôs a bater perna no Brás pra pegar um bolo de camiseta na véspera, e depois ficar enfornada num caixote abafado guardando mochila, e até a ficar carregando caminhão cheio de material de construção no dia seguinte. O Punk/Beto/Luis e seu irmão, que viraram a noite da véspera soldando e restaurando o caixote, o Luis (sim, outro Luis) Henrique que também ralou pra caralho com leva e traz, fazer força, restaurar, etc, o Adriano/loko/Luis2, etc… FORA o pessoal que de fato tava na organização! Puta merda, Guga que ralou pra caralho pra fazer um corre desgraçado, os irmãos J do rio (JC/JJ) que fizeram umas oficinas FODA, Montanha e Raxa que além de serem gente boa PRA CARALHO ficaram horas e horas no cadastramento só de boa vontade (além do Raxa ter frequentemente me emprestado sua voz para fazer comunicados), Hugo, aquele mulekinho do Rio que parece o Mad da revista que ralou noites fazendo aquela arte incrível da virada, Ícaro puxando as criancinhas de rua pra aprender parkour mesmo fora dos horários combinados (e elas ainda voltaram dia seguinte gritando por ele!), Alan que além de ajudar no credenciamento me divertiu com as histórias das pessoas que ficam especulando como eu ganho dinheiro na minha vida, Pipolo, Magrello, Leon, Beto, Duddu, Juzinha, que além de todo o evento ajudaram carregando aquela cacetada de peso no caminhão, enfim.. Até mesmo o mala do DK. Em sua maioria pessoas desconhecidas mas com um coração gigantesco.

Falando em pessoas, eu achei muito legal dar a oportunidade para pessoas tão legais de lugares diferentes se conhecerem (em especial o eixo rio/sao paulo, ou omnis/a rua). Pessoas muito fodas e especiais. Essa união era algo que eu não tinha previsto e que realmente marcou em mim, em especialmente a esse evento. Mais do que nunca acho que a associação paulista de Parkour pode se tomar forma e fazer muita coisa. Enfim, isso é assunto pra outro papo.

Ta achando que eu escrevi muito? Então sente aí porque eu nem comecei.

Como sempre eu sou MUITO crítico, especialmente com as coisas que faço. E apesar de todas as críticas que eu possa ter, essa foi de longe a virada em que eu mais saí satisfeito. A que, de longe, mais atingiu (e lindamente, por sinal) o objetivo que “tento” atingir nos eventos desde o primeiro em 2006, que nunca consegui com tanto sucesso: Ensinar iniciantes. Esse foi o segundo grande ponto alto na minha opinião, o que me encheu os olhos ver acontecendo e pensar “essa virada definitivamente construiu algo concreto que eu idealizava desde 2007!”. Com uma equipe foda (já falei que os irmãos J são fantásticos oficineiros?), as oficinas lotavam (de 30 a quase 50 participantes), todos dos quais ao sair exclamavam: “Adorei, onde tem aula de Parkour aqui em São Paulo??”. O pouco que pude acompanhar (e inclusive participar) achei muito foda, e o pessoal ta de parabéns. Agradeço demais a todos que ajudaram nisso. Me fez sair com uma felicidade imensa, ao mesmo tempo que um enorme peso na consciência: Cade os GTreinos? Cade as aulas de Parkour? Como vamos receber toda essa galera? Tem muito trabalho a ser feito aqui em São Paulo.

Claro, já falei que sou muito crítico? Reconheço e assumo todos os defeitos dessa virada. Na minha visão (embora o pessoal não tenha falado tanto isso), eu acho que os praticantes ficaram um pouco em desvantagem. A estrutura ficou legal, mas muito “grande” – tudo era muito longe e não foi tão bem pensado. Os canos se aqueciam muito no sol, ficando inutilizáveis em alguns horários. Muitas “figuras carimbadas” não apareceram (mesmo de São Paulo!). Inclusive, foi legal até ver os alunos do cara de nome de desenho japones aparecerem sem seu “uniforme” e interagir mais com o povo (pelo menos no segundo dia..) As mochilas poderiam ter algum esquema melhor. Aliás, falar em mochilas.. Grande bola fora dos praticantes. NINGUEM, absolutamente NINGUEM levou em consideração os pedidos de não levar mochilas. Todo mundo usou e abusou da Camila que estava lá só pra isso, chegando ao cúmulo de ir só pra ver as horas na mochila e devolver, em total desconsideração com as pessoas que estavam lá ralando e as outras que esperavam na fila. Serviu de lição, e na próxima já está muito bem definido como vai ser. Vai custar um dinheiro simbólico A CADA retirada da mochila.E o dinheiro vai 100% pra pessoa que estiver lá trabalhando nisso.

O ambiente, embora legal, era escondido do público: Não havia lugar para assistir. Fora que muitas vezes houve reclamação por parte da segurança do uso dos muros… A grade de segurança foi tirado pelo público e não foi colocado de volta.. A SPTuris, responsável por prover a estrutura para o evento todo, foi uma lástima. Desprezível. Infelizmente o evento não oferecia água pro público, então tivemos que compartilhar a água da organização com os participantes.

Credo, tenho muita coisa pra falar. Mas na hora de colocar no papel tudo foge da cabeça, né?

Enfim, foi muito aprendizado, algumas coisas erradas, muita coisa boa, nenhum acidente, e um ótimo evento. Na minha visão, foi uma virada dos iniciantes, e não dos praticantes. No entanto fico feliz que os praticantes que participaram pareceram muito satisfeitos! E um agradecimento especial a todos que ajudaram a fazer a virada acontecer. Como disse o Ícaro: Que orgulho de fazer parte disso! Vocês são foda! E se minha namorada não tivesse ciúmes e eu fosse gay, daria um beijo na boca de vocês! (Menos do PC.)