Não era bem esse o título original da postagem mas acredito que ele encaixa perfeitamente.

A Revista Profissão Mestre trouxe em sua última edição um texto muito curioso e legal sobre Parkour escrito pela colunista Kelly Roncato. De início pensei se tratar de somente mais um dos trocentos textos sobre “o que é parkour?”, mas esse tem uma peculiaridade interessante: Kelly defende o uso de nossa prática não somente como disciplina, mas como meio para se ensinar também outras disciplinas:

“O Parkour pode ser multidisciplinar, envolver Educação Física, Matemática, Física, Educação Artística, História e Geografia.” (…)  a Matemática é contemplada pelas noções espaciais e formas geométricas. A História pode estudar a evolução da técnica, o local e motivo de sua criação e a forma como foi ensinada na França do século XX.  A Geografia pode ser usada para se conhecer as semelhanças e diferenças entre o relevo da Europa e do Brasil e as diferenças de tempo, que possibilitam mais ou menos a prática diária. “Além disso, a Física pode fazer uso das noções de inércia, distância, resistência, ângulos, tempos de trajeto e força motriz.”

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Dica de como uar o Parkour em sala de aula


Você Sabe o que é Parkour?
por Kelly Roncato

Raymond Belle nasceu no Vietnã, antiga Indochina, era bombeiro e militar. Sem família, foi acolhido pelo exército Francês, país onde se naturalizou e passou grande parte da vida. No exército, aprendeu técnicas de salvamento que mais tarde seriam passadas a seu filho, David.

Essas técnicas consistiam em usar o corpo como ferramenta de resgate e veículo de fuga. Devido a isso, toda a área na qual o sujeito estivesse transformava-se em obstáculo: um prédio, um carro, uma pedra, um muro, um bueiro. Atravessá-los de modo eficiente e rápido era o objetivo. Do alcance dele dependiam a vida do indivíduo e de seu grupo.

No corpo de bombeiros, esse conhecimento ajudava Belle a ser altruísta e deixar toda a atenção e criatividade focadas na operação de resgate. A utilidade dos movimentos dependia também do bom condicionamento físico do bombeiro. Daí todo o cuidado para desafiar os próprios limites sem desrespeitá-los. Na década de 80, ele passou todo o conhecimento que possuía ao jovem David Belle que, acompanhado de amigos num subúrbio francês, adaptou as lições de modo a superar os limites do corpo e da mente. Nascia aí Le Parkour, ou O Percurso, prática que chegou timidamente ao Brasil na década de 90 pelas mãos do psicólogo clínico Eduardo Bittencourt.

Ele observou, pela Internet, a forma como David se locomovia pela cidade e decidiu tentar os mesmos movimentos. Hoje tem um grupo de treino e é responsável pelo site Le Parkour Brasil, ferramenta que possibilita a curiosos e adeptos do Parkour o esclarecimento de dúvidas e conhecer um pouco mais sobre o assunto.

Bittencourt explica que são treinados, geralmente, obstáculos e não percursos. “Nosso objetivo final é desenvolver uma ‘capacidade para’. Assim, o processo caminha muito nesse sentido: de adquirir e apurar cada vez mais capacidade para equilibrar-se, saltar, rolar, escalar, dependurar. Dentro disso, tudo que puder nos favorecer interessa.”

E você com isso?
Seja prática, técnica ou esporte, o Parkour pode contribuir muito para a o aprendizado de seus alunos. Quem comenta o fato é Gisele Maria Schwartz, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano e diretora do Laboratório de Estudos do Lazer, localizado no Instituto de Biociência da Unesp de Rio Claro, interior de São Paulo. “O Parkour pode ser multidisciplinar, envolver Educação Física, Matemática, Física, Educação Artística, História e Geografia.”

Para ela, a Matemática é contemplada pelas noções espaciais e formas geométricas. A História pode estudar a evolução da técnica, o local e motivo de sua criação e a forma como foi ensinada na França do século XX.

A Geografia pode ser usada para se conhecer as semelhanças e diferenças entre o relevo da Europa e do Brasil e as diferenças de tempo, que possibilitam mais ou menos a prática diária. “Além disso, a Física pode fazer uso das noções de inércia, distância, resistência, ângulos, tempos de trajeto e força motriz.”

Gisele lembra ainda do aspecto psicológico, que se desenvolve com o aumento de auto-estima e autoconfiança por parte da pessoa que o pratica. Isso sem falar na parte motora. “O Parkour desenvolve nas crianças a noção espacial – já que conta com obstáculos e distâncias diferentes –, a coordenação motora, a flexibilidade, a força e a impulsão”, aponta a especialista.

No entanto, é preciso cuidado antes de deixar que as crianças e os adolescentes da sua escola saiam por aí saltando de muros e escalando prédios. Gisele destaca que ainda não há no Brasil um conjunto de normas de segurança para a prática do Parkour.

Também não se especifica a idade ideal para início e fim dos treinos. David Belle, em seu site (www.parkour.net), recomenda que os interessados tenham mais de 16 anos e um bom preparo físico, já que treinar os movimentos sem estar em boa forma pode causar lesões sérias ao corpo.

Ética e liderança
A pessoa que pratica Le Parkour precisa de educação corporal para superar os obstáculos. Além disso, a prática deve ser desenvolvida em grupo, e isso desperta a necessidade de um relacionamento interpessoal saudável. É preciso criar uma convivência baseada na confiança em si e no outro, pois muitas vezes é o líder do grupo – geralmente, uma pessoa que pratica a atividade há mais tempo – que mostra o caminho. Cabe aos outros descobrirem se podem segui-lo ou devem traçar a própria estrada.

Eduardo Bittencourt acredita que o Parkour é um processo íntimo, porém, compartilhado. “Assim, talvez não devêssemos falar em aula de Parkour, mas numa adaptação dele para a escola”, opina. “Antes de fazer demonstrações, o professor precisa conhecer a origem e os objetivos do Parkour, valorizar a criatividade do aluno, incentivá-lo e reforçar que em seu próprio caminho ele tem mais a ensinar e que com o outro ele tem muito a aprender.”

Qualquer ambiente, desde que seco, se torna favorável ao ensino do Parkour. Podem ser aproveitadas linhas do chão, árvores e escadas, por exemplo. O mais importante é que o professor tenha assistido a vários vídeos, testado as manobras e possa mensurar o grau de dificuldade delas antes da aula.

É importante frisar a necessidade de buscar informação em sites sérios, pois alguns praticantes desconhecem a história que deu origem ao Parkour e por isso deterioram os objetivos. Gisele Schwartz conta que algumas dessas pessoas utilizam o conhecimento para o desvio de conduta. “Podem usar a técnica para assaltar, entrar em casas, fazer arrombamentos.” E reitera: “Mas isso tem a ver com a índole de quem aprende e não com a prática em si.” 


DICAS DE COMO USAR PARKOUR EM SALA DE AULA

 A seguir estão algumas idéias para voce utilizar o Parkour como ponto de partida para aulas mais divertidas e dinamicas:

Fisica – Divida a turma em equipes e esconda um objeto em cima de uma arvore. Uma equipe precisa vencer os obstaculos para encontra-lo, outra medira o tempo de ac?o dos participantes. Depois, a turma calcula a velocidade media dos colegas e a distancia entre eles e o objeto.

Matemática – Leve um video de Parkour para a sala de aula. Apos assistirem, os alunos dever?o fazer os calculos e descobrir de quantos graus foi o salto do atleta.

Educacão Física – Ensine corrida com obstaculos e salto em distancia a seus alunos. Assim, eles poder?o desenvolver a coordenac?o motora e a forca.

Educação Artistica – Leve fotos de praticantes do Parkour para seus alunos. A ideia e eles prestarem atenc?o aos contornos da arquitetura e da natureza nas paisagens onde o atleta estiver. Se possivel, solicite que facam um desenho ou uma pintura semelhante.

Ingles – Peca que seus alunos entrem na pagina oficial de David Belle e facam uma pesquisa sobre a pratica em Lingua Inglesa. Depois, e so traduzir para o Portugues, e vice-versa.

Historia – Contextualize o Parkour, da epoca de sua criac?o aos tempos atuais. Descubra com seus alunos de onde ele surgiu, quem o adaptou, qual foi a guerra na qual esse tipo de atividade ganhou importancia e qual e a filosofia desse trabalho.

Geografia – Destaque os relevos nos quais a pratica e possivel. Explique para seus alunos a importancia de o local ser seco, mas ter uma umidade significativa para permitir as performances, etc.