Alguns tracers famosos da internet, especialmente pela série de vídeos Parkour, literalmente, acabam de lançar um provocativo vídeo com uma polêmica:  4 “atletas”, que se encontravam no quadro de membros da Urban Free Flow, abandonaram a equipe de “estrelas” da Urban Free Flow  lançando um manifesto que começa com:

Nós não compartilhamos das visões da UF; não concordamos com seus objetivos; nós repudiamos – e vemos diariamente – todas as consequências de suas ações disastrosas. Nós não podemos, como consequência, apoia-los ou fazer parte de qualquer maneira.

A iniciativa, lançada hoje, já teve repercussão no mundo todo. Além das centenas de comentários no youtube, até Rocko, amigo de Daer Sanchez que veio ao Brasil no Art of Motion e membro da UF, se pronunciou no twitter dizendo algo como “Não sou da UF. Pra mim, é só umas roupas a mais no armário e me serve de curriculum”.

Naïm “L’1consolable”, Quentin “Le Vietnamien Volant”, Anthony “Anthow” (Parkour13Sang40), Erik Mukhametshin, e Ivan Savchuk são os membros que assinam o manifesto, alegando serem sempre cientes do que a UF representa, mas que aceitaram o convite para participar do quadro de atletas com o intuito de sabotar a empresa e expor para seus seguidores, por dentro, os podres da mesma. No entanto ao ver que isso não seria possível da forma que queriam, decidiram sair e alimentar essa iniciativa. Alegavam também estarem cansados dos amigos e conhecidos que viviam questionando a controversa decisão desses tracers tão consagrados, cujos motivos precisavam permanecer em segredo.

A iniciativa veio em hora conveniente, visto a popularização do símbolo da UF no Brasil, com camisas originais e falsificadas se alastrando pelo país. O Pulo do Gato e seus membros não apoiam as iniciativas da UrbanFreeFlow e compartilhamos as visões desse vídeo, que defendemos há muitos anos.

No entanto, compreendo que muitos novos no Parkour, e pessoas não tão engajadas, podem estar se perguntando afinal: O que essa empresa tem de tão mal? Eles lançam vídeos tão bonitinhos.. Tanta gente usa aquele desenhinho legal na camiseta.. Bom, se você quer saber mais sobre a situação, expanda o tópico para saber mais.  O vídeo resume bem:

A UF ignora todos os valores do Parkour e faz de tudo para reduzi-lo a um simples produto a ser vendido.

A UrbanFreeFlow é uma empresa fundada em 2003 por Paul Corkey, também conhecido por EZ, após seu segundo dia de treino. A intenção era fazer uma marca de roupa nova, após a falência de sua empresa anterior.

Desde seu início, a UF se envolveu numa série de situações controversas e ilegais. Como uma empresa, seu objetivo sempre foi o lucro. Por isso, não compartilha de todos os valores éticos e morais pelos tracers, ou qualquer outra pessoa relacionada ao Parkour. Deixando claro que não recriminamos alguem por ganhar dinheiro no Parkour. O que acontece é que a UF sempre utilizou de métodos controversos, antiéticos, e frequentemente ilegais para sua operação.

Enquanto alguns podem criticar a UF por confundir Parkour com Freerunning, na minha visão esse não é o motivo para repudiar seus atos. Hoje, conheço várias pessoas que por convicção não vêem diferença entre as duas definições, e respeito isso. No entanto há diferença entre acreditar em algo por convicção, ou vender algo simplesmente para ganhos pessoais. Na época, a divisão entre PK e FR era claríssima, não havia dúvidas. Mas EZ e sua empresa sempre quiseram buscar o que fosse mais lucrativo, ignorando quaisquer convicções dos envolvidos com Parkour na época.

EZ então com um site bonitinho e chamativo, começou a atrair as pessoas pela parte visual do “Parkour”, disseminando-o frequentemente como simplesmente “pular por aí e dar mortais pela cidade”. E criou um forum, onde os interessados em “parkour” podiam debater. Rapidamente esse forum se tornou um dos maiores do mundo, na época onde o único outro forum era o Parkour.NET, que tinha apoio de David Belle e participação de diversos ícones do Parkour, mas não tinha o mesmo apelo popular.

Só que suas táticas de comercialização da marca usaram de artifícios pouco éticos. Os mais comuns era manipular toda a informação de seus forums, excluindo qualquer visão contrária e criando diversas contas e pseudônimos para disseminar idéias que fossem favoráveis as vendas da empresa. Assim, conseguiu diversos jovens impressionados como seguidores, que seguiam e pregavam para todo o mundo o que era disseminado no forum.

Vem usado de diversas formas de mentira para promoção, tal como se promover como uma comunidade, se dizer “oficial”, mesmo quando Belle já havia se pronunciado publicamente contra empresas ou pessoas que se dissesse representar o Parkour, citando claramente a UF como um dos exemplos.

Além disso, a UF utiliza de táticas como colocar vídeos populares de youtube de outras contas em seu próprio canal, para aumentar sua popularidade. Isso pode ser claramente reparado na descrição do vídeo de Sergio Cora, que diz “glyphmedia, não roube esse vídeo“.

O tamanho da empresa e as oportunidades que isso traria chegou a atrair diversas pessoas para perto, com intenções mistas, que vieram a se afastar em seguida. Abaixo uma pequena lista de algumas das pessoas que chegaram a se envolver com a UF, mas saíram após conhecer os “podres” de dentro delas.

  • Stephane Vigroux: Foi anunciado como membro da UF por alguns meses, e logo depois saiu e criou a PKGEN.
  • Chau Belle: Em uma conversa pessoal, disse que chegou a ir a um trabalho com EZ. Quando disse que “não ligava pra nada além do dinheiro”, saiu fora
  • Livewire, Blue, entre outros: começaram sua fama dentro da própria UF, mas saíram posteriormente sem se pronunciar.
  • Dan Edwards: Diretor da Parkour Generations, também foi um dos primeiros parceiros da UF
  • M2, criador da American Parkour: Compartilhando dos métodos controversos, criou uma comunidade americana e se separou de EZ.
  • Julie Angel: Começou gravando com UF, até que saiu e continuou o projeto de Westminster sem o envolvimento da UF.
  • Naim, l1consolable: Aceitou entrar para o quadro de atletas com a intenção de sabotar a empresa de dentro e expor seus pobres para o público.
  • Entre diversas histórias de atletas que eram explorados comercialmente para gerar um lucro grande ao empresário.

De uma forma geral, a UF representa uma  empresa que abre mão de qualquer valor em busca de lucro e benefício próprio, o que é muito criticado pela galera engajada que é a comunidade do Parkour. Enquanto certas empresas e pessoas buscam seu sustento do Parkour sem abrir mão de valores éticos e morais, a UrbanFreeFlow se apropria indevidamente do termo “Parkour” para ir contra tudo o que sua comunidade defende.

Eu, Jean, em nome do Pulo do Gato, do grupo Geração Tracer e da academia Tracer apoio essa inicativa que visa levar a conhecimento público as práticas dessa empresa que só busca enriquecer a qualquer custo, passando por cima dos valores que lutamos para defender.

Para mais informações, em inglês, veja a descrição do vídeo acima e também esse extenso artigo de 2007, na comunidade Australiana de Parkour, expondo em detalhes algumas partes da história da UF.

UrbanFreeflow não é o único exemplo desse tipo de empresa, onde também se destacam American Parkour e WFPF. No entanto, é a única cujo principal representante assume com convicção tal posição.

Atualização: Na página do Facebook de Naïm, Tim Shieff (Livewire) postou: “Outra geração finalmente aprendeu ;)”