Algum tempo atrás, apresentamos a vocês o sistema de palestras do TED (são mini palestras super interessantes sobre todos os assuntos possíveis). Inclusive já tivemos a contribuição do idoso Sebastien Foucan ministrando o seu Freerunning. Se você pesquisar sobre o assunto você vai encontrar várias outras palestras interessantes sobre artes do movimento em geral. Essa que vou apresentar agora a vocês me chamou a atenção por sua particularidade.

Ryan Ford, do projeto Apex Movement, quis levar para o palco o tema “Parkour Para Todos”. Logo no início ele explica a diferença de visão entre Parkour e Freerunning e em seguida apresentou alguns dados relevantes sobre a quantidade de americanos que apresentam problemas de sobrepeso, cardíaco e ligados a falta de atividade física.

Ryan faz demonstrações no palco com um grupo de praticantes e ao final diz que qualquer um é capaz de se envolver com a atividade. Ele explica que a vivência de uma pessoa com 22 anos de idade, uma de 12 anos e outra de 54 será diferente. Elas possuirão níveis de aprendizado e de desenvoltura diferentes, porém, os obstáculos e a energia que eles terão que encontrar para enfrentá-los é a mesma. Não é o quanto longe você salta ou o quão fácil você realiza as técnicas que irá determinar que você obteve sucesso no seu treino.

E é aí que a coisa fica emocionante. Ryan traz ao palco Autumm e seus dois filhos (Malachi e Fidelity). Malachi foi uma criança que teve muitos problemas na infância pois sofria de uma úlcera crônica que provoca hemorragias internas. Já Fidelity foi diagnosticada com Cistinose Nefropática (uma doença muito rara e ainda em estudo). No palco, os 3 brincam de usar o ambiente da forma como conseguem, cada um no seu ritmo, cada um respeitando suas limitações e cada um adquirindo suas próprias experiências em se movimentar. Isso mostra a todos que até mesmo a execução de movimentos que são considerados “básicos” no Parkour podem significar vitórias grandiosas e que merecem ser tão valorizadas (ou mais) quanto os movimentos incríveis que estamos acostumados a aplaudir.

Eu sou um cagão, então assisti o vídeo e comecei a chorar quando vi a Fidelity treinando. Meu sobrinho de 3 anos foi diagnosticado com a mesma doença rara e por ter um caso em família eu sei o quanto a coordenação motora e a movimentação corporal é afetada por ela. É emocionante ver o quanto o Parkour pode ser utilizado para mostrar as pessoas que elas estão vivas e que se movimentar e aprender a lidar com suas deficiências é a melhor maneira de celebrar isso.