A APRPK inicia nova fase  e realiza assembléia para apresentar objetivos e discutir com os praticantes ativos

Para a galera de Curitiba e cidades próximas, se liguem no dia 31 de agosto: a assembléia é uma boa oportunidade de tirar dúvidas, apresentar propostas e entender melhor sobre as necessidades e ações de uma associação. Saiba quais serão as pautas aqui.10556302_271511156377484_2802822157537877299_n

 

Acompanhe abaixo uma ligeira entrevista com Cassio Junior, presidente da APRPK e também co-fundador da Ponto B, sobre esse evento:

Qual a importância de se criar uma associação no cenário paranaense?

A ideia de criar uma associação é de longa data. Na verdade, mesmo antes de trabalharmos com isso profissionalmente (com a Ponto B) o desejo inicial era juntar ospraticantes sério do estado, criar uma associação, e tentar difundir o Parkour por meio de projetos com incentivo federal, estadual e municipal. Aos poucos tomamos rumos diferentes e cada um foi para um lado.

No ano passado, tivemos um problema com a Guarda Municipal de Curitiba, onde por equívoco dos guardas, eles proibiram a prática de parkour na Praça 29 de Março, local mais tradicional do Parkour na cidade (desde 2004/2005). Com isso, fomos atrás da prefeitura e tudo ficou “resolvido”. Mas com essa situação, o que antes era ideia, surgiu como necessidade. Quando problemas como esse acontecem, e alguém vai reclamar seu direito, a primeira pergunta deles é “quem representa os praticantes de parkour da cidade?”. Quando ocorreu esse fato, quem representava era eu e mais uma meia dúzia de mais antigos na prática, mas isso não tem tanto respaldo. A preifeitura então uniu numa reunião as principais secretarias municipais envolvidas (saúde, esporte e lazer, meio ambiente, guarda municipal) e chegamos a conclusão de que havia a necessidade de montar uma associação, um órgão que representasse os praticantes daqui, para que a “autorização” para utilizar os locais públicos pudessem sair do boca-a-boca, e ser oficializado. Por conta dessa necessidade, decidimos nos reunir e tomar a atitude. A assembléia geral de fundação foi realizada no dia 01 de Setembro de 2013.

Quais os principais objetivos?

Os objetivos (previstos em estatuto) são divulgar o Parkour e ações que favoreçam o crescimento e melhor desenvolvimento da prática, organizar eventos, elaborar projetos que auxiliem o desenvolvimento do Parkour, orientar praticantes do Paraná na prática, orientar e informar interessados a respeito da atividade, buscar reconhecimento da sociedade e de órgãos públicos, conseguir autorização para a prática de parkour em locais públicos e privados, proporcionar benefícios diversos aos associados quanto à prática do Parkour. Os meios como se alcançam alguns objetivos desses passam por estruturação e organização da comunidade do Parkour, o que as vezes complica pois vejo que em vários lugares a maioria dos praticantes ainda é um pouco resistente quanto à isso.

Saindo da parte burocrática, o que é essencial para uma associação se iniciar?

Para montar uma associação é fácil, para fazê-la funcionar é difícil. Acho que não deveríamos sair da parte burocrática, pois ela é necessária e essencial, mas acredito que o primeiro e mais difícil passo que a comunidade deve dar é a conscientização. Infelizmente a maioria dos praticantes de Parkour não tem maturidade e conhecimento sobre a importância dessa “política”, dizem que não gostam, não se envolvem e só querem treinar. O problema é que quanto mais o parkour cresce, mais é preciso que as associações tenham respaldo. Digamos que em determinada cidade existem 500 praticantes, apenas 10 se envolvem com a associação, de repente surge um plano de revitalização de uma praça que é um pico de treino, eles vão chamar associação de moradores, comerciantes, etc. para discutir as normas de utilização da praça, tomam alguma decisão que desfavorece a prática do Parkour, que respaldo terá uma associação que quando for questionada, é composta por apenas 10 sócios? Não tem representatividade! Nós da diretoria atual da APRPK temos nos baseado em outras instituições que estão a muito mais tempo lutando para garantir seus direitos. Posso citar aqui a FEPAM (Federação PArananese de Montanhismo), que conseguiu mudar leis e decretos que iriam desfavorecer aqueles que eles representam. Mas isso só aconteceu pois eles tem representatividade, pois muitos montanhistas, escaladores, etc. se associam e mantém a instituição funcionando.

Muitas dessas pessoas que não gostam dessa política desfrutam do parkour e da “liberdade” de praticar nas praças em Curitiba, mas nem sequer pensam que se não fosse pelo esforço de alguns, essa “liberdade” estaria com os dias contados. E esse é o grande problema na minha opinião, é essencial para a estruturação e garantia do futuro do Parkour que as pessoas se conscientizem dessa necessidade. Quem faz a ABPK, a APRPK, e outras, são os praticantes, se eles não estão presentes (ou por motivos próprios ou por falha da diretoria em não abrir para associados), a associação não tem força nenhuma. Temos ainda muito trabalho pela frente, estamos engatinhando nessa parte, eu não sou especialista no assunto, estou aqui expressando minha opinião baseada em estudos que fiz sobre outras entidade. Acredito que nós precisamos mudar, se queremos que o Parkour tenha força daqui 10, 20 anos. Até por que, se pessoas com boa vontade e que acreditam no Parkour não se mobilizarem, logo pessoas de má fé se mobilizam e fazem o que nós devíamos ter feito.